Zika e a Relação com a Microcefalia

O Brasil teve de enfrentar um problema de saúde em uma escala anormal com a chegada da Zika em território nacional. A doença se espalhou rapidamente, tanto por causa da ainda forte presença do mosquito Aedes aegypti no país, quanto pela forma de transmissão pelo sangue, que ainda está sendo estudada. No entanto, o Zika vírus trouxe consigo outra situação, ainda coberta de mistério e envolta em preocupação: a microcefalia.

 

De acordo com o Ministério da Saúde, a microcefalia é uma malformação congênita em que o cérebro do bebê não se desenvolve regularmente. A criança, assim, nasce com o perímetro cefálico menor que o normal, e sofre com limitações neurológicas, motoras e respiratórias. O bebê pode ter problemas na visão, audição, e na fala, ao crescer. O aspecto cognitivo é afetado, e crianças com microcefalia costumam ser mais agitadas e tendem a chorar mais que as crianças sem a condição, podendo sofrer também com convulsões.

 

A microcefalia não é uma doença de descoberta recente, mas antes da epidemia de Zika em 2015, os casos não passavam de 150 por ano no país. Depois do surto, foram contabilizados mais de 2 mil casos de malformação pela microcefalia até outubro deste ano. Como informado pela Organização Mundial de Saúde, existe um consenso científico de que o surto de microcefalia é causado pelo Zika vírus, e embora apenas 381 dos mais de 2 mil casos confirmados de microcefalia tenham relação comprovada com a Zika, até outubro deste ano mais de 3 mil casos ainda estavam sendo estudados.

 

Existem registros de microcefalia em todos os estados do Brasil, mas o Nordeste apresenta o maior número de casos, com Pernambuco sendo o mais afetado, seguido da Bahia e Paraíba. Mas o aumento de casos da condição não afeta apenas o Brasil ou a América Latina. Com o aumento no número de casos da Zika em 70 países ao redor do mundo, é provável que os casos de microcefalia também aumentem. A Ásia já apresenta um sinal do surto da doença, e dois bebês foram confirmados com microcefalia. Nos Estados Unidos, o estado da Flórida apresenta o maior número de casos de Zika do país, com mais de mil registros. A diretora da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, acredita que os especialistas de todo o mundo devem trabalhar para estudar o fenômeno e encontrar formas de combater essa situação.

 

Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico da microcefalia pode ser feito durante o final do segundo trimestre e início do terceiro trimestre da gravidez através do ultrassom fetal. No entanto, mesmo que observada uma anomalia no bebê durante o procedimento, a precisão não é total. Ao nascer, o bebê por exames para a confirmação da microcefalia.

 

Não há um tratamento específico para a microcefalia, mas os bebês com a condição precisam de constante avaliação médica e cuidados de especialistas como fisioterapeutas, oftalmologistas e neurologistas. O SUS oferece serviços de atenção básica e serviços de reabilitação, e os hospitais estão cada vez mais sendo renovados para atender melhor as mães e os bebês com microcefalia. No entanto, as condições dos serviços de saúde não são as ideais para atender tamanha demanda de assistência, com um surto tão repentino e inesperado. Dessa forma, as medidas de prevenção contra a Zika se mostram essenciais diante de tal situação.

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